terça-feira, 5 de junho de 2012

O que estão fazendo com Sean?



Vamos debater o caso de Sean?
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Bruno Austuto
O primeiro erro da entrevista do menino Sean Goldman à rede de TV americana NBC foi a entrevista em si. Afinal, a maior crítica de seu pai, David, refere-se à suposta exposição midiática do caso no Brasil por parte da avó, a brasileira Silvana Bianchi, quando o menino foi entregue ao consulado americano, dois anos atrás, após a decisão do STF de restituir a guarda ao pai.
David esqueceu-se que foi graças à exposição midiática nos Estados Unidos e às horas de gravações e vídeos vazados ou produzidos pela emissora que ele ganhou a atenção do governo americano e de todo o mundo para seu caso, que, claro, virou livro e que, claro também, segue numa turnê promocional nos Estados Unidos.
Na entrevista, Sean dá declarações bastante maduras para sua idade (11 anos), do tipo “A vida tem desafios”, mas a postura corporal não nega: ele continua acuado pelo drama que viveu e ainda vive. Braços cruzados diante da entrevistadora, surpresa com as cinco páginas de perguntas que ela carrega, o olhar um tanto triste, mas vidrado certamente, como se ele estivesse a repetir o mantra que lhe foi passado durante os últimos dois anos.
É flagrante, também, o quanto ele está feliz de viver com o pai. Que menino separado abruptamente da figura paterna não estaria, com esse reencontro? Mas existe algo em Sean, em sua voz e em seu olhar que deixa escapar que essa felicidade não é plena. Faltam-lhe pedaços, a avó materna, a irmãzinha e as referências dos seis anos que passou no Brasil.
Sean sabe que o preço de sua felicidade de voltar a viver com o pai é o sofrimento da avó. Assim como deveria ter pressentido, durante a estada brasileira, que a alegria de estar com a avó e com a irmã era o desespero do pai. Ele não convenceu ninguém, nem a si mesmo, quando contou à entrevistadora que não sabia que o pai tentava reaver sua guarda. Um garoto de nove anos, idade em que ele foi levado para os Estados Unidos, ouve conversas em casa e na escola, ainda mais num caso tão público quanto foi o dele.
David impõe condições para que a avó veja o neto. Quer que ela seja acompanhada dos psicólogos e retire as ações que move contra ele — notadamente, o recurso que ainda será julgado pelo STF. Silvana diz que o ex-genro pede R$ 200 mil de indenização pelos custos que ele teve com advogados durante todos esses anos.
O maior gesto de grandeza desse pai, que tem, sim, todo o direito de viver com o filho nos Estados Unidos, seria deixar a avó ver o neto quando desejasse. E da avó, topar ver o neto sob as condições que ele impuser — fora a pecuniária, é claro.
Queria conhecer o psicólogo de Sean, pois ele deve ter fortes razões que escapam ao meu entendimento para permitir que o garoto de 11 anos dê uma entrevista em rede nacional contando seu drama. Se pode falar ao circo do grande público e a uma entrevistadora dramática, que aperta os olhinhos e carrega na voz cada vez que faz uma pergunta arrebatadora, por que Sean não pode falar com a avó?
Ele deve ter medo de mostrar ao pai que a ama, e mostrar a ela o quanto está bem ao lado do pai. A grande preocupação de David, segundo ele disse à TV americana, é que o filho desenvolva traumas ou síndromes de abandono e separação.
Para isso, o remédio não é simples, mas é: Sean precisa saber que amar uma pessoa não exclui amar outras. Que sentir falta da mãe, mesmo que ela o tenha levado do convívio do pai, não implica em amar menos ou ferir David. Que gostar da avó não significa trair o amor do pai e vice-versa.
Essa guerra sem fim tem apenas uma vítima: um garoto de 11 anos dividido entre seus amores primários desde a mais tenra infância. Falta a ambos lados a generosidade de deixar de ter razão por um bem maior, a paz daquele a quem se ama.
E ao pai de Sean, que voou de volta ao Estados Unidos com o filho a bordo de um avião de um canal de TV americano, faltam coerência e bom senso, coisas às quais o menino Sean ainda não foi apresentado, desde que a mãe o trouxe para o Brasil.

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