quinta-feira, 4 de outubro de 2012

IBDFAM entrevista Dra. Giselle Groeninga em comemoraçao ao Documentario: Primeiro os Filhos



Entrevista: Direito de Família na mídia

03/10/2012



Fonte: Assessoria de Comunicação do IBDFAM


 Uma notícia no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo sobre o documentário Os filhos primeiro exibido na tv paga (Discovery Home&.Health, 02/10, às 23h) chama a atenção. O título da matéria é: Documentário explica como se divorciar e preservar os filhos. O repórter conclui o texto com a recomendação: “Dos três casos (exibidos no documentário) fica uma lição-chave para um final (ou talvez recomeço) feliz: é preciso nunca esquecer que o divórcio é o fim apenas de um casal e não da família que ele gerou”. Para comentar alguns aspectos desta notícia, que usa tom didático ao tratar do assunto divórcio desde o título dado ao texto, convidamos a psicanalista e presidente da Comissão de Relações Interdisciplinares, Giselle Groeninga.

A SOCIEDADE CAMINHA PARA A DISTINÇÃO ENTRE CONJUGALIDADE E PATERNIDADE/MATERNIDADE?

Sem dúvida alguma, a família em bloco deu lugar à família eudemonista, em que cada um busca sua realização e seu bem-estar. Diria que a distinção seria entre conjugalidade e parentalidade – fundamental a complementaridade das funções.

 A CRESCENTE ACEITAÇÃO DO AFETO COMO VALOR JURÍDICO SE SUSTENTA EM UM NOVO MODO DE VER A FAMÍLIA QUE A SOCIEDADE PARECE INCORPORAR, COMO INDICA A MATÉRIA JORNALÍSTICA CITADA?

Claro que sim, mas devemos ter ciência de que quando falamos de afeto não falamos apenas de amor, mas de toda uma gama de sentimentos, o que inclui até o ódio. Então quando falamos do afeto como valor jurídico, estamos nos referindo ao sentimento do amor para a criação dos vínculos – essenciais à formação da personalidade e atendimento das necessidades humanas.


ESTAMOS FALANDO DO AFETO COMO VALOR JURÍDICO NO BRASIL, MAS O DOCUMENTÁRIO É CANADENSE. A GLOBALIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO TENDE A UNIFORMIZAR ENTENDIMENTOS SOBRE COMPORTAMENTOS?

Claro, no entanto podemos dizer que o Brasil tem sido pioneiro neste reconhecimento, não só pelo sangue latino, mas pela forma de organização de nossa sociedade, com famílias formadas por segmentos sociais e raças diferentes desde nossa origem.

O TÍTULO DO DOCUMENTÁRIO, “OS FILHOS PRIMEIRO” SÃO UMA REITERAÇÃO DA PREVALÊNCIA DO MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA, PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL ENFATIZADO PELO MODERNO DIREITO DE FAMÍLIA. QUAL O LUGAR QUE FILHOS DE MULHERES E HOMENS CONTEMPORÂNEOS PASSAM A OCUPAR NO CONCEITO EM VOGA DE FAMÍLIA?

Este ponto é muito importante, pois não podemos ter uma visão "esquizofrênica" da família, como se o direito dos filhos fosse oposto ao dos adultos. Estes, na função de pais, têm direitos e interesses complementares aos daqueles. Quando se considera o interesse da criança e do adolescente apenas como superior ao dos adultos, sem levar em conta o direito dos pais, e mesmo sem oferecer alguma continência aos adultos em crise, a consequência pode ser o efeito inverso – a desconsideracão do princípio do superior interesse da crianca e do adolescente que, na realidade, representa o interesse da família. Mesmo com a separação, a família continua a ser família, apenas se transforma e, portanto, se mantêm os interesses de seus integrantes – filhos, pais e mães, avós, etc..
  
OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO FORMAM O PÚBLICO PARA OS NOVOS CONCEITOS RELATIVOS À FAMÍLIA?

Sim, eles, sobretudo, legitimam, como faz o Direito à sua maneira, algo que já existe, quer de forma manifesta, quer de forma latente. A via é de duas mãos, mas os meios de comunicacão e o Direito podem contribuir em muito para a auto-estima das famílias e sua integração social.

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