terça-feira, 20 de novembro de 2012

Projeto "Eu te escrevo e você me escreve"


  
Cairu e Valença fazem parceria pela educação

O Colégio Municipal Professor Humberto Carlos Barbosa Ribeiro no Galeão-Cairu e a Escola Municipal Manoel Marques de Magalhães em Cajaíba-Valença realizam projeto escolar em parceria.

                                                                                   “Aqueles que passam por nós não vão sós.
                                                                                                Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
                                                          Antoine de Saint-Exupery

O Projeto “Eu te escrevo e você me escreve” acontece simultaneamente na Escola Manoel Marques de Magalhães em Cajaíba/Valença e no Colégio Municipal Professor Humberto Carlos Barbosa Ribeiro em Galeão/Cairu, organizado pelo Professor Aldo Bomfim Lisboa[1] e demais parceiros diretos e indiretos nas duas unidades escolares.

O Projeto surgiu da necessidade de intensificar a leitura e a escrita dos alunos nas duas escolas. Desde o início do ano foi discutido com os alunos temas sobre o analfabetismo funcional e como executar práticas educativas que estimulassem a leitura, a escrita e a análise critica das informações adquiridas diariamente.

Por algum tempo, os alunos de Cajaíba e Galeão liam semanalmente revistas e faziam fichamentos sobre as ideias apresentadas nos textos. Apesar de fazerem as atividades, se percebia que não havia algo que os estimulasse a fazer. O projeto veio trazer o elemento que faltava (desejo). A leitura e a escrita tem sido problemas graves nas escolas públicas de todo o Brasil. Então foram selecionados 110 alunos para participar desta edição do projeto. Divididos em 55 duplas, durante meses cada aluno escreveu e trocou cartas para sua respectiva dupla, de outra escola, a qual não conhecia pessoalmente, nem mesmo por fotos. Era proibido que eles procurassem os respectivos amigos nas redes sociais, mandar foto ou telefone. As correspondências começaram desde o mês maio, sendo a única forma de comunicação entre os jovens.

O projeto das cartas edição 2012 foi importante por vários motivos: o gênero “carta” é um conteúdo programático; como todas as escolas públicas do Brasil, elas estavam participando da “Olimpíada da Língua Portuguesa”; os alunos das duas escolas possuem graves problemas de escrita e, por conseguinte, não conseguem entender textos simples (o que poderíamos aproximar ao analfabetismo funcional); os alunos moram em diferentes espaços (Galeão é uma ilha e a maioria dos alunos que estudam em Cajaíba moram na zona rural); um grupo é formado por filhos de pescadores e marisqueiras e o outro grupo por filhos de agricultores; diferentes experiências; diferentes modos de pensar e ver a vida; são unidos por problemas em comum, que atingem todos os jovens direta ou indiretamente.

Por cinco meses (maio-outubro), os jovens se corresponderam falando sobre projetos de vida, sobre o lugar onde vivem, sobre as impressões que cada um tem de si mesmo e dos outros, e no fim de outubro irão se encontrar para, pessoalmente, trocarem experiências. Esse encontro contará com apoio das suas escolas, das Secretarias de Educação dos dois municípios, dos alunos de Direito e pedagogia da UNEB/Valença e de muito outros parceiros.

Ao final do projeto, os alunos irão avaliar a própria participação e a do seu amigo, preenchendo formulários, gravando depoimentos, e escreverá uma carta para o professor contando como foi a sua experiência.

Desenvolver a leitura e a produção de textos foi o alvo principal de projeto, enfatizando aqui a importância de uma metodologia diferenciada para alcançar resultados positivos. A intenção foi ajudar o aluno a desenvolver uma consciência crítica reflexiva, questionadora (quando não transformadora) da realidade.

A história da escrita

Os seres humanos desde sempre buscaram uma maneira de se comunicar. No início, a ausência da fala e escrita prejudicava até na segurança e perpetuação dos diferentes grupos sociais. Foi ainda na era primitiva que os homens começaram a usar a pintura em cavernas como forma de transmitir aos outros os saberes e experiências do dia-a-dia. Em 4000 a. C., os sumérios, um povo que vivia na Mesopotâmia, inventou um tipo de escrita chamada de Cuneiforme e sem saber disso, estavam assim dividindo a história entre pré-história e história. Podemos então dizer que a invenção da escrita foi tão importante para os homens que pôs fim a uma era e fez começar um novo momento histórico.

A escrita evoluiu tanto ao longo dos séculos que se tornou de fundamental importância para a maioria dos povos. Os homens criaram diversas maneiras de utilizar essa escrita, que poderia ser uma mensagem do rei; textos bíblicos que expressavam as muitas vontades dos diversos deuses; a própria história ou simplesmente uma comunicação do cotidiano em forma de carta ou bilhete. Hoje em dia, a utilização da internet e das redes sociais, são a maneira mais eficaz e em questão de segundos propagam uma informação para um maior contingente.

As cartas aos poucos deixaram de ser utilizadas. Além das pessoas perderem a prática da escrita (transferida para a digitação), enviar uma carta pelos correios leva de 3 a 5 dias. No Facebook leva apenas “um segundo” para que a informação chegue a centenas e milhares de pessoas. Se de um lado as redes sociais aproximam pessoas, por outro, elas distanciam, pois elas não se encontram mais nas ruas, praças, clubes, etc. As pessoas ficam em quartos fechados por horas em frente a uma tela de computador. A geração atual pouco utilizou as cartas e a maioria dos jovens nunca enviou ou recebeu esse tempo de correspondência.



[1] Professor Aldo Bomfim Lisboa é Pedagogo pela Faculdade de Ciências Educacionais – FACE, Licenciado em História pelo Programa Especial de Formação de Docentes – FACE, Pós-Graduado em Educação, Ética e Cidadania pela Escola Superior de Teologia – EST\RS, bacharelando em Direito pela Universidade Estadual da Bahia – UNEB. O professor atua há dez anos como docente e atualmente ocupa as cadeiras de Língua Portuguesa (Escola Manoel Marques) e de História (Colégio Professor Humberto Ribeiro).




                                                                                 Professor Aldo Bomfim Lisboa 

 O Professor Aldo Bomfim Lisboa é um exemplo de pessoa que faz a diferença, que nos mostra o quanto é gratificante trabalhar por um mundo melhor.

              Encontrei um texto no blog da Dandara[1] que fala sobre Fazer a diferença, vou compartilhar agora, pois diz o que eu gostaria de dizer sobre o Professor Aldo Bomfim Lisboa – Coordenador do projeto “ Eu te escrevo e você me escreve”.

Fazer a Diferença

Tem gente que faz mesmo diferença. Tem gente que já deve nascer com uma proposta de vida definida por Deus. Um compromisso doce de passar adiante o seu desejo de acreditar em um mundo melhor. Algo como um manual debaixo dos braços para não esquecer nenhum lembrete divino.

• Se encantar com o ser humano. (prioridade máxima)
• Ter o poder de reconhecer através do olhar os caminhos que ainda precisamos percorrer para salvar a natureza dos homens e a própria natureza. (nunca desistir)
• Viajar pelo planeta para conferir se ainda temos tempo para recuperar o que já foi um paraíso. (grifo vermelho)
• Ficar velho e ter a certeza de que está cumprindo sua missão com humildade e perseverança. (guarde isso pra você)

Enfim, ter a certeza de que fez diferença, enxergar o homem, sua terra, seus valores, suas ansiedades, seus desejos, seus lamentos para ajudar a fazer história.
Tem gente que faz mesmo diferença. Faz diferença porque se enche de coragem e enfrenta o mundo, ajuda a reconstruir caminhos, educa, restaura a alma de gente que nem sabe que pode fazer diferença.

Tem gente que faz diferença porque é sensível e se emociona com o simples e muda a própria história com seus projetos sociais.

Tem gente que faz diferença com seu olhar de múltiplos significados. Aqueles que servem para distinguir o real do imaginário, o que pode virar documento e o que é resultado de uma imagem ensaiada, mas que ainda assim, emociona.

Tem gente que faz diferença porque apesar de cúmplice de um mundo desobediente, possibilita através do seu trabalho a consciência de cidadania. 

Tem gente que faz diferença porque na tarefa de incomodar o olhar do outro o faz pensar com arte e nos surpreende quando atinge de forma sublime nossos outros sentidos.

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